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4 de Agosto de 2021

Caos, morte, medo, contradições e futricagens humanas

José Miguel de Magalhães, Advogado
há 4 meses

Embora a morte seja o meio em que desencadeia o processo de renovação das espécies viventes, ela é o fenômeno mais atemorizador do ser humano desde a sua existência.

Ficar doente causa sensação da finitude, o que deixa o homem refém do medo, sobretudo, pela incerteza da existência de vida após a decida ao túmulo.

O momento pandêmico com seus efeitos colaterais tem gerado sentimentos mórbidos e inquietações que conflagram para o obscurantismo da razão. O que sugere mudança de comportamentos e atitudes que possam levar o ser humano buscar maior conectividade com o psico.

Segunda a Bíblia, no Gênesis, "Deus, ao contemplar a maldade do homem sobre a terra, se arrependeu de tê-lo criado". O Gênesis descreve ainda a morte de Abel pelo seu irmão Caim, motivada pela inveja. Provavelmente, Deus, diante de tal fato, tem-se arrependido ao perceber que o mal havia contaminado o que existia de melhor na sua criação.

Em artigo, publicado no “Migalhas”, Adolpho Bergamini cita de forma irônica a obra de Machado de Assis “A Igreja do Diabo e Outros Contos” fazendo uma reflexão sobre moralidade e comportamentos psicossociais ao apontar as contradições do homem, quando em desafio entre Deus e o Diabo, Deus permitiu que o Diabo fundasse sua Igreja para que os homens pudessem praticar as maldades sempre desejadas, sem serem recriminados. No entanto, os homens, escondidos, começaram a praticar a bondade que sempre recusaram, o que levou o Diabo a questionar a Deus sobre tal comportamento, e Deus, na sua onipotência, teria dito ao Diabo que o comportamento em questão seria a “Eterna contradição humana”.

O homem, a partir da ideia de um ser evolutivo, demonstra ser mais contraditório que coerente, o que enseja profundas reflexões.

O tempo, com sua intempestividade advinda da força Suprema, tem sua própria regência e exclui do poder humano o controle dos ciclos fenomênicos. Cabendo ao homem, diante de circunstâncias excepcionais, apenas a esperança do momento certo para dar continuidade a normalidade do curso da vida.

Nesse diapasão, insere-se a pandemia da covid-19 causadora de sofrimento, do medo, de sentimento de incerteza e do imponderável. Seriam os fenômenos inquietantes a “conta” a ser paga pelas contradições humanas? Pelo sim ou pelo não, a dúvida é: passada a tormenta as pessoas tornarão melhores? Alguns podem até pensar que sim, enquanto outros, tem opinião contrária.

Todavia, o caos pandêmico deixará lições amargas, porém necessárias para que a humanidade encontre o melhor caminho a ser trilhado na continuidade da longa jornada da vida.

Tomara que sim.

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